Menos é mais!

Engraçado essa nossa mania de complicar a felicidade. Eu tenho um monte de desejos, mais tantos que fico pensando se preciso disso tudo mesmo para ser feliz. Às vezes, fico chateada por não poder fazer algumas das coisas que quero, quando, na verdade, vou perdendo tantos momentos de  felicidade pelo caminho. Por que a gente complica tanto hein? A vida é tão mais simples…

E olhando essas fotos do nosso domingo, não consigo pensar em nada além de agradecer pela vida ser tão boa. A gente precisa de tão pouco para ser feliz que acho que tenho que riscar alguns itens da minha lista de desejo. Definitivamente: Menos é mais, principalmente quando se trata de felicidade!

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Como eu descreveria ele para um estranho

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Paciente, tranquilo, dono do melhor coração. Nunca foi capaz de magoar uma mosca. Até quando ele me deu um fora, fez na intenção de não me fazer sofrer (apesar de ter feito mesmo assim). Ele não queria brincar comigo. Não é do seu caráter enganar ninguém, inclusive essa uma das qualidades que mais admiro nele. No trabalho, nas amizades, na vida. Ele não sabe mentir, quando tenta sai tudo errado, mete os pés pelas mãos e sempre termina envergonhado de tentar ser o que não é.

Ele realmente só sabe ser ele. Observador e ao mesmo tempo desligado, não é de falar muito. Mas, se tiver uma cervejinha discute até política e religião. Não gosta de polêmica, de confusão, de se intrometer no que não é da sua conta. Ama hambúrguer, pizza, bife a milanesa, batata frita, mas troca todas essas comidas para me acompanhar na saladinha. Gosta de rock, folk, indie-rock, mpb, sertanejo, pagode. Ele gosta de música.

Não sabe varrer e nem lavar os pratos, mas cozinha melhor que muito chef por aí. Tem um senso de humor incrível e um sorriso lindo. É gentil, carvalheiro, romântico e até piegas. Às vezes esquece datas importantes, mas ele sabe compensar as falhas. Não sabe falhar e pede desculpas até quando não é o culpado.

Ele gosta do Pc, do Cauê, mas me acompanha nos canais de maquiagem e besteirol feminino, mesmo sem prestar muita atenção. Ele não suporta Faustão e Fantástico, dorme assistindo Off, gosta de Papo de Segunda e de Decora, mas tem pouca paciência para programas de humor e troca qualquer um desses programas pelo futebol no domingo.

É comedido e sensato. É equilibrado e criterioso, sem ser chato. Gosta de acordar tarde e de tirar um cochilo no meio da tarde. Gosta de cafuné e de dormir abraçado. Ama a família, cuida e defende. Outro dia me falou que sua missão na terra era me fazer feliz. E ele sabe fazer isso como ninguém. O seu mundo pode estar aos pedaços, mas eu só preciso sorrir.  Manoel é um amor. Manoel é AMOR.

 

As voltas que a vida dá

Ainda lembro claramente da cena no colégio, a minha expectativa e vergonha de me declarar para aquele menino que eu nunca tinha trocado nenhuma palavra. Fico pensando se a cena fosse ao contrário, como eu teria reagido? Não tinha nada a ver, não naquele momento. Manel gosta de dizer a todo mundo que estava esperando a hora certa para ficar comigo, mas é só uma forma bonita dele dizer para as pessoas que me deu um fora no meio do recreio, em junho de 2004.

Manel era aquela pessoa que mesmo sem conhecer direito, eu sentia algo diferente quando ele estava por perto. Depois do pé na bunda que ele me deu no colégio, nos tornamos amigos, mas nunca me senti totalmente a vontade com ele, até o nosso primeiro beijo. E o primeiro beijo aconteceu três anos depois, quando ninguém esperava, em uma festa de reencontro da turma do colégio, depois de muitas cervejas. Ainda lembro a cara de todo mundo ao ver a cena e principalmente das amigas mais próximas que conheciam “nossa história”.

Naquele dia eu disse que ele estava ficando comigo por ficar e porque estava bêbado, mas ele disse que iria me provar que estava afim de mim de verdade. E no dia seguinte, lá estava ele embaixo do meu prédio só para ficar comigo, dessa vez sóbrio. Meu estômago embrulhava e eu ficava muito nervosa toda vez que ia me encontrar com ele. E foi assim naquele dia e em muitos outros. Apesar da gente se conhecer há anos, parecíamos dois desconhecidos envergonhados e com medo de se apaixonar. Sempre saímos com nossos amigos e demorou algum tempo para fazermos programações sozinhos, só eu e ele.

Ficamos por dois meses até o dia que na varanda da minha casa ele virou para mim e disse “Te amo!” pela primeira vez. Lembro que fiquei sem palavras, não esperava ouvir aquilo, não assim, de repente. Lembro também que fiquei muito nervosa quando ele me pediu em namoro e disse não! Isso mesmo, eu disse NÃO… até porque eu precisava me vingar (sou dessas!), mas rapidamente mudei de ideia e disse SIM. Isso aconteceu há 8 anos, no dia 01/01/2008 e desde então somos um par.

É engraçado parar pra pensar nas voltas que a vida dá. Se em 2004, depois do “fora” que tomei, alguém me dissesse que 10 anos depois estaria noiva daquele mesmo carinha, eu ia rir muito!

Fazem 12 anos desde a primeira vez que Manel cruzou meu caminho e já estamos prestes a completar um ano de casados. Muito louco isso! Não sei o que os próximos 10, 20, 30 anos nos espera, mas só consigo imaginar um futuro de mãos dadas com o melhor amigo/companheiro/parceiro que a poderia me reservar.

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O dia que você foi embora…

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Se alguém me perguntar qual é a minha reação diante da morte, não saberei dizer. Já passei por diversas perdas, de amores, de parentes e de animais. Em cada uma delas, reagi de formas diferentes. E nessa última, demorou alguns dias para a ficha cair. Segunda-feira, nossa Cleozinha nos deixou. Foram tantas anos juntas que não sabemos dizer ao certo qual era sua idade. Apesar do meu chamego explícito com o cachorrinho urso, nunca deixei de amar a minha pretinha.

Fecho os olhos e consigo lembrar de tantos momentos dela, de quando morávamos aqui nesse apartamento, anos atrás. Do osso barulhento que ela adorava jogar de um lado para o outro do corredor, do barulhinho que suas unhas faziam no taco, da sua mania de me lamber quando pegava no braço e de como eu já sabia que ela estava perto de mim pelo cheirinho que era só dela. Ela ficava na beira da cama pedindo para subir porque já não conseguia pular como antes e quando a gente dizia que não, se conformava e ficava ali mesmo, no pé da cama, fazendo companhia. Quando levávamos para passear na rua, cheirava mais do que andava. Enquanto, a outra cachorra rodava o quarteirão, ela ainda não tinha saído do primeiro poste. Brincávamos dizendo que era nosso cão detetive farejador. Morria de medo de fogos e nos últimos anos, tanto no São João como no Ano Novo, ficávamos aflitos achando que seu coração não aguentaria a queima de fogos e ela nos deixaria.

Cachorro preto, cachorro piche, fuscão preto, pretinha básica… todas as vezes que a via, inventávamos um apelido novo. Nunca vou esquecer de quando mainha trouxe ela, era tão pequeninha e se chamava Nina, a gente achou tão feio aquele nome e resolveu dar um nome de Rainha: Cleopatra! Ela cabia na bolsa e a gente levava dentro do ônibus pra todo canto. Sempre muito quietinha e muito companheira, sabia quando alguém estava triste e sempre dava um jeito de ficar por perto. Ela viveu tanta coisa junto com a gente, morou em vários lugares, viajou para tantos outros, sempre dormindo enroladinha na sua casinha que tanto gostava ou em cima de algum paninho.

Nos últimos anos, ela já não enxergava mais, a gente jogava alguma comida e ela ficava procurando no ar, sem perceber que já estava no chão, bem ali na sua frente. Passava o dia na caminha dela e só levantava para comer e fazer xixi. Da última vez que me visitou, não correu pela casa, não olhou os carros pela janela da sala, apenas deixou de lembrança um xixi no meu tapete da sala. Fiquei tão chateada naquele dia, mas hoje, até disso estou sentindo saudade.

Todo mundo aqui de casa já sabia que ela iria embora a qualquer hora, eu me achava super preparada para esse momento. Porém de ontem para hoje, percebi que por mais que a morte já tenha se apresentado de várias formas e contextos para mim, nunca vou conseguir me acostumar com o vazio que ela deixa em nossas vidas. Despedidas serão sempre despedidas (e sempre doloridas). Ontem, Manel me pediu para não ficar triste, porque Cleozinha agora estava correndo e brincando pelas nuvens. Quero acreditar que isso é verdade, porque essas são as lembranças que quero guardar da minha pretinha brincalhona. ♡

Sobre ser feliz todos os dias

Ele ri de mim o tempo todo, do meu jeito engraçado de falar inglês e do meu sotaque. Não consigo passar na frente do espelho sem fazer uma dancinha e sempre rimos muito enquanto nos arrumamos pra sair ou pra ir dormir. Enquanto ele se preocupa de não incomodar os nossos novos vizinhos, ensino que música boa tem que ser escutada no volume máximo e que dançar ao som de uma boa música torna ela melhor ainda. Rodamos até ficar tontos e depois morremos de rir por nada. E se tivesse que definir felicidade, naquele instante, seria descobrir que não é necessário ter motivos para sorrir.

Todo dia meu despertador toca às 6h, mas a gente só consegue levantar as 7h. E toda manhã, durante 1h adiamos o momento de acordar de verdade só pra sentir a felicidade daqueles dez minutos que separam uma soneca da outra. À noite, quando chego do trabalho, ele me oferece comida mesmo sabendo que não gosto de comer tarde da noite. Diz que vou ficar doente, que não tenho me alimentado direito, falando de ciência e nutrição como se soubesse do assunto mais do que eu, quando na verdade só quer dizer que me ama enquanto se interessa por assuntos que me fazem feliz.

O cheiro de lençol limpo, de cama forrada, a luz do abajur deixando o quarto com vontade de dormir. Ele pede para eu desligar a televisão, largar o celular e ficar olhando pra ele até pegarmos no sono. E  naquele momento, felicidade é o instante que separa o dormir do primeiro toque do despertador às 6h da manhã do dia seguinte.

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