Se eu pudesse falar…

23-01-14 010

“Se eu pudesse dizer que te amo, diria todas as vezes que você chega em casa após um dia inteiro na rua ou simplesmente no retorno rápido após a ida à padaria. Se eu pudesse dizer que te amo, diria todas as vezes que você me pega no colo e me enche de carinho. Mas diria também após ter levado um esporro por ter feito xixi fora do jornal ou levado suas meias pro meio do corredor. Se eu pudesse dizer que te amo, diria todas as vezes que você me deixa subir na sua cama e dormir a noite toda ao seu lado ou na tarde de fim de semana e dias de chuva que a gente fica enroladinhas embaixo das cobertas. Se eu pudesse dizer que te amo, diria na hora do almoço, café ou jantar quando você finge que a comida caiu da sua mão só pra me dar sem ninguém notar. Se eu pudesse dizer que te amo, diria todas as vezes que você forra um paninho no chão pra eu não dormir no sereno e nas vezes que você me dá leite para eu não dormir com a barriga vazia. Se eu pudesse dizer que te amo, eu diria sempre e toda hora, diria com um olhar ou com um latido, como eu costumo fazer e você costuma pedir pra eu fazer silêncio. Mas eu vou aprender a dizer eu te amo em silêncio também, para você não se aborrecer mais comigo.

A verdade é que não sei se você tem entendido o que venho tentando lhe dizer, mas todos os dias, se eu pudesse falar, eu diria: Te amo.”

Se pudesse eu sei que era isso ela me diria quando me olha com esses olhinhos assim…

Quando você não está

Hoje é domingo e você não está. A falta que sinto é um presente na medida em que me lembra que você existe. Sentir a sua falta é a maior prova disso, você existe, além de mim. Saber que você não está é um presente, porque antes você não existia. Não além da minha esperança, não além do meu esperar.

Estou escrevendo agora, enquanto você não está, porque escrever sobre você me aproxima de ti. Parece mesmo que você estará me esperando ao final da página, sorrindo. Escrever-te é uma forma de nutrir tua presença, de me acalmar quando você não está aqui para fazê-lo, com seus dedos entre meus cabelos.

O seu abraço tem aquele conforto conhecido, aquele cheiro que acalma, aquele calor que convida para ficar mais um pouco e um pouco mais. E enquanto você não está eu quero guardar o seu toque, a delicadeza com a qual você vira as páginas, a leve inclinação do seu rosto, prestando atenção, em nós. Quando você não está gosto de lembrar que amanhã te protegerei do frio e da luz que inunda o quarto pela manhã, na curva dos meus ombros.

Você não está, mas virá, você ainda vem. Me gusta brincar com o tempo. Às vezes, me debruço pro futuro, meu exercício preferido. Admirar o futuro é como soltar uma amarração de balões de festa no ar. O futuro é essa imprecisão, essa boquiabertude, essa nossa pequenice diante da imensidão dos planos do destino.

Tão recente, tão improvável, tão docemente desconhecido. Seja bem-vindo. Só dessa vez, descumprirei as regras, não usarei a métrica lógica. Só dessa vez, não derramarei desculpas, não inventarei desvios, não usarei pontos finais na história. Que a nossa seja costurada pelo suspiro doce das vírgulas, que continuam, que nutrem a esperança, que calmam, que sabem esperar. Me aceite assim, sem ponto, sem medida, sem fim.

*esse texto não é meu, é do blog Palavra Crônica, blog de crônicas que eu sigo. Mas apesar de não ser meu, e de hoje não ser domingo, ele fala muito sobre mim, ou melhor, sobre nós. Achei pertinente a esse tumblr e a minha saudade de hoje.